4 - O BRASIL COLONIAL DO SÉCULO XXI
Quase nada é real
No Brasil Colonial
do século XXI.
Quase tudo é fascinante
E domina em instantes
Ludibria a cada um.
Jogos do era uma vez
A massa em flacidez
Que quer se estabilizar...
Somam um mais um pra seis
Onde vigoras as leis
Sérias a ironizar.
E temos que passar pelo labirinto
Sem se perder (tem que ser)
Paramos de pensar, função da religião
Unida com a TV (tudo a ver)
Vitória do boçal, atualmente natural
Dos satélites a você...
Que cumpre condicional
Esperando um sinal
Pra aprender
Tudo o que vê.
Quase nada é cultural
Num país tão desigual
E entre tantos só mais um...
Quase tudo é dominante
Tão diante e tão distante
Ludibria a cada um.
Comodismos na escassez
Enganados outra vez
Por ser tão materiais.
A fé se perde de vez
E as perguntas que nos vem
Servem pra nos derrotar...
E temos que passar por tudo isso
Pra aprender (sem saber)
Paramos de andar, pausa pra reclamar
Esperando a água ferver (pra beber)
Descontrolados irracionais
Em guerra com o natural
Preparados pra perder...
Desistindo da moral, achando tudo normal
Reclamando sem fazer.
SOCIEDADE ANÔNIMA
Junho, 1999
5 - HERÓIS VENCIDOS
Que droga que era o sonho da vida
Voltei pra ver e não pude crer.
Que história que dera aquelas conquistas!
Que coisa estranha... Heróis vencidos!
Refratários, usuários, leitores de out-doors
de panfletos, no peito o logotipo da melhor.
Na cabeça, a meta do aumento de salário,
No coração o sonho da mudança guardado...
Heróis vencidos não correm riscos
Nem pegam vistos pra outra direção...
Heróis vencidos não ouvem gritos
Que no silêncio saem saem da fascinação...
Que termos, que números, o singular assume
E a experiência camuflada saúda o teu quintal
Que medo do novo, do erro presente,
de ver-se por dentro numa leitura moral...
Estampados, enganados, no cada um por si,
sedentos, cegos, loucos pelo que está por vir
Na tv, no rádio, no diário do jornal
Prisioneiros no mundo da mídia digital.
repetidos, iguais, atrás do próprio rabo
Te clamam sinais todos ignorados.
Tão perfeitos, normais, sensuais e sábios
No caos das ficções da sua realidade.
Heróis vencidos não correm riscos
Nem pegam vistos pra outra direção...
Heróis vencidos não ouvem gritos
Que no silêncio saem saem da fascinação...
SOCIEDADE ANÔNIMA
Abril 2006
6- EXPERIÊNCIA CAMUFLADA
Seu eu chorar ninguém vai me ouvir
tudo era bela, e eu não estava aqui.
quando cheguei, vi que me perdi...
A língua era outra, e eu não entendi.
A vida sempre me ensinou
E eu sempre achei que aprendi (certo).
Experiencia camuflada não me permitiu crer
No que sempre existiu.
Passei no tempo, como toda a vida passa
Deixe assim tudo passar por mim.
Eu nunca cria no que se desesperava
Pelos sinais que desfilavam ante a mim...
Somos soltos, somos tão ingratos.
Somos cegos, e nos vemos o máximo.
Somos todos, somos coletividade,
Mas egocêntricos, vivemos na individualidade.
O mundo sempre me ensinou
E eu sempre achei que aprendi (certo)
Experiencia camuflada não me permitiu
Crer no que sempre existiu.
SOCIEDADE ANÔNIMA
Fevereiro, 2000


